ANMA repudia cena de ritual em novela da Rede Globo

Laureta (Adriana Esteves) em cena na sua residência

Texto: Sérgio d´Giyan 11.09.2018 01:19

 

A ANMA – Associação Nacional de Mídia Afro emitiu na noite de ontem, segunda-feira, 10, uma correspondência destinada a produção da novela Segundo Sol, em que repudia cena interpretada pelo personagem de Adriana Esteves que descreve um ritual de agradecimento às entidades do Candomblé.

Na cena, Laureta, personagem de Adriana Esteves, oferece em seu jardim, champagne, flores e velas coloridas para entidades da Umbanda e do Candomblé, em agradecimento ao objetivo alcançado de forma violenta e brutal com a morte de Remy, personagem de Vladimir Brichta. A relação entre o agradecimento e o objetivo municia ainda mais a intolerância religiosa, e associa de forma equivocada, uma prática já tradicional entre os adeptos das religiões afro-brasileiras.

Na correspondência a ser encaminhada a emissora, o presidente da ANMA orienta que toda cena que relacione qualquer ato litúrgico seja acompanhado de um sacerdote ou consultor especialista na liturgia do Candomblé. Ao mesmo tempo, cita os elogios da comunidade pela criação de um núcleo na novela que exibe um templo religioso e suas práticas.

Leiam a carta na íntegra a ser encaminhada à emissora.

“Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2018.

 

Á
Produção da Novela Segundo Sol
Rede Globo de Televisão
Rio de Janeiro – RJ

 

Prezados

 

A ANMA – Associação Nacional de Mídia Afro foi instituída em agosto de 2012, objetivando, dentre outras finalidades, contestar/esclarecer material divulgado e ou publicado em veículos de comunicação, que mencionam procedimentos associados a liturgias das religiões de matrizes africanas.

O capítulo de hoje (segunda, 10) trouxe o personagem interpretado pela atriz Adriana Esteves, na novela mencionada acima, em um ritual de agradecimento às entidades da Umbanda e do Candomblé, na trama, devido ao sucesso alcançado de forma brutal e violenta, envolvendo um assassinato.

É necessário destacar que essa relação do ritual praticado com a conquista de um objetivo de forma negativa municia ainda mais àqueles que sempre associaram nossas entidades e orixás a figura do demônio, proporcionando assim atos de intolerância religiosa.

Até o momento, o folhetim tem sido alvo de elogios pela inserção de um núcleo que inclui um templo de candomblé dirigido pelo personagem “Pai Didico”, e que tem a assistência de um sacerdote reconhecido no meio religioso.

Não acreditamos que a cena tenha sido aprovada ou acompanhada por esse consultor, que com certeza teria o cuidado de associar esse ritual dentro da trama.

Destarte, ficam cientes do repúdio ao que foi exibido em horário nobre, e que nas próximas cenas haja o acompanhamento de um sacerdote do Candomblé para evitar que esse material seja utilizado de forma inadequada por pessoas que teimam em macular a nossa imagem.

 

Atenciosamente,

Sérgio Carvalho
Presidente da ANMA – Associação Nacional de Mídia Afro”

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